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08.02.2022

Gulbenkian apoia projetos para melhor gestão da água

Em tempos de seca e para promover uma gestão mais eficiente da água no setor agroalimentar, a Fundação Calouste Gulbenkian financia cinco projetos de demonstração de boas práticas.

Antecipar riscos e acelerar a mudança de comportamentos no setor agrícola –  o que mais sofrerá com a escassez de água – são os principais  objetivos do projeto Gulbenkian Água

Esta iniciativa baseia-se na demonstração de boas práticas na gestão da água de rega, de norte a sul do país.

Um júri (composto por Custódia Correia, da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Mafalda Evangelista, do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável – BCSD Portugal, Tiago Domingos, do Instituto Superior Técnico e por elementos do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável) já selecionou para financiamento cinco projetos que abrangem culturas distintas, decorrendo durante toda uma campanha agrícola.

São estes o Projeto “Eficiência do Uso da Água na Fileira dos Cereais – AquaCer” que assenta na capacitação de centenas de agricultores, quer em regime presencial, quer através de meios multimédia. Envolve a cultura do milho, cereais praganosos e arroz e as regiões do Alentejo, Ribatejo e Vale do Mondego. É promovido pela Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), em parceria com a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), o Centro Operativo e Tecnológico do Arroz (COTARROZ), o Centro Operativo e Tecnológico de Regadio (COTR) e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA); Projeto “H2OpitDemo: Demonstração de práticas de gestão para o uso eficiente da água em pomoideas e tomate indústria” que inclui ações com agricultores de perfis distintos e visa a adoção de tecnologia para a rega eficiente e demonstração (workshops e dias abertos de networking), intercâmbios internacionais e conteúdos multimédia. Trata-se de um projeto promovido pelo Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional – Centro de Competências, em parceria com a Torriba, Campotec, Hidrosoph e a Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas, que assenta na cultura da maçã, pera e tomate de indústria, nas regiões do Vale do Tejo e Oeste; Projeto “VinAzReg” que propõe ações de demonstração das melhores práticas de gestão integrada e sustentável dos recursos no campo (Alentejo), além da criação de um vídeo e de um manual gratuito de boas práticas de rega para vinha e olival. É promovido pela Comissão Vitivinicola Regional Alentejana, em parceria com o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) e o Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo; Projeto “G.O.T.A – Gerir, Operacionalizar e Transferir. Uso eficiente da Água na vinha: beneficiar de cada gota” baseado em ações de demonstração para agricultores em quatro quintas-piloto do Douro, um manual de boas práticas de rega e material digital audiovisual; É desenvolvido pela Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense, em parceria com a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – Real Companhia Velha, a Sociedade Vitivinícola Terras de Valdigem, a Sogrape Vinhos e a Symington Family Estates e Projeto “H2Oliva” promovido pela Escola Superior Agrária de Santarém em parceria com a Terrapro, a Associação de Agricultores do Ribatejo, a Azeitonices e a Casa Relvas. Orientado para a cultura do olival na região do Alentejo, prevê ações de demonstração numa exploração onde são já implementadas boas práticas de gestão de rega há vários anos e em que será possível observar o resultado do uso das tecnologias de monitorização e os serviços de aconselhamento existentes, bem como promover ações com produtores “trainees”. 

Num tempo em que a falta de água constitui uma das principais preocupações de um futuro próximo, estes projetos revelam-se de especial importância na  transição para uma agricultura mais sustentável a nível hídrico.